Reforçar as práticas de gestão de dados no ensino superior na África Oriental

Na primeira entrevista da iniciativa Perspectives, Ben Ruhinda, Senior Systems Officer no Inter-University Council for East Africa (IUCEA), partilhou as suas perspetivas sobre os desafios urgentes e as prioridades estratégicas relacionadas com a recolha e gestão de dados no setor do ensino superior na África Oriental.

Um dos desafios mais significativos enfrentados pela região é a falta de indicadores harmonizados e de práticas comuns de gestão de dados. Embora os dados sejam recolhidos em diferentes países e instituições, as diferenças nas definições, normas e níveis de maturidade dos sistemas dificultam a comparação e o intercâmbio. “Quando recolhemos dados, temos de acordar indicadores comuns”, explica Ruhinda. “Sem referenciais partilhados — o que é medido, onde e quando — é difícil garantir clareza e comparações significativas.”

A necessidade de harmonização vai além das fronteiras nacionais Os utilizadores de dados não estão limitados pela geografia, e a mobilidade na África Subsaariana exige práticas partilhadas que promovam a transparência, a comparabilidade e o intercâmbio. É igualmente essencial estabelecer uma ligação mais clara entre os dados, a garantia da qualidade e a orientação das políticas. Em muitos casos, os dados são recolhidos sem estarem suficientemente alinhados com a sua utilização prevista nos processos de tomada de decisão.

Enfrentar os desafios dos dados através do HAQAA3

Para enfrentar estes desafios, a África Oriental deu prioridade à harmonização dos sistemas de ensino superior, nomeadamente através de quadros de garantia da qualidade (GQ) e de acreditação. O desenvolvimento e a classificação de mecanismos regionais de GQ, bem como o alinhamento de normas e currículos, desempenham um papel central no reforço dos sistemas de dados. A formação das equipas de GQ e o reforço dos sistemas de gestão institucionais são igualmente passos fundamentais, uma vez que os processos de garantia da qualidade atribuem grande importância a dados fiáveis e estruturados.

O HAQAA3 contribui para estes esforços ao apoiar a harmonização de normas, o reforço de capacidades e o alinhamento estratégico entre regiões. Através de iniciativas de colaboração e formação, o programa ajuda a colmatar lacunas em termos de ferramentas, modelos e competências técnicas. “Definições claras de normas e modelos comuns para a informação são essenciais”, destaca Ruhinda. O HAQAA3 também apoia a reflexão sobre governação e ferramentas de gestão de dados, assegurando que todas as etapas do ciclo dos dados — da recolha à utilização — sejam consideradas.

O reforço dos sistemas de gestão de dados é particularmente urgente tendo em conta o rápido crescimento do ensino superior em África. Dados precisos e fiáveis permitem um melhor planeamento, previsões mais rigorosas e decisões de investimento informadas. “Se não gerir eficazmente os dados dos estudantes, não poderá planear a expansão”, sublinha Ruhinda. A qualidade dos dados influencia diretamente a qualidade da oferta educativa, a mobilidade de qualificações e competências, bem como o desenvolvimento estratégico de um espaço comum de ensino superior na África Oriental.

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